auroras e ocasos

 


Porto Alegre/RS/Brasil  - antigo Estuário do Guaíba, hoje denominado Lago Guaíba, maio 2007

LEVANTAR OU PÔR-DO-SOL: MOTIVOS COBIÇADOS

Por MICHAEL NEUMÜLLER
Maio de 1960

(Por gentileza de ÖSTERREICHISCHE PHOTO-ZEITUNG)

''O colorido esplendor do levantar ou do pôr-do-sol é sempre motivo do mais vivo entusiasmo de cada amigo da natureza, e o foto-amador sente-se sempre impelido a reproduzir, em filme colorido, esta sinfonia única de cores da planície imensa, das colinas, da montanha média ou mesmo dos cumes mais altos, especialmente, porém dos lagos e do mar. Estas fotos, projetadas em tamanho grande em toda sua suntuosidade, formam geralmente a maior atração para o público, principalmente se enquadradas numa conferência geral em combinação com um filme. No entanto, este público freqüentemente tem dúvidas, se estas cores fantásticas, tonalidades de azuis, amarelos e vermelhos as quais aparecem no pôr-do-sol, na realidade existem. Eu mesmo fotografei muitas vezes o levantar do sol, bem como o pôr-do-sol e uso com prazer justamente estas fotos como o ponto máximo das minhas conferências. Talvez seja interessante para o fotógrafo, ouvir algo a respeito das razões que participam da múltipla formação das cores, justamente na paisagem da noite para o dia, ou do dia para a noite. O sol é um corpo quente reluzente que irradia raios. A existente composição espectral da luz é facilmente determinável com o auxílio do medidor de temperatura de cor, por exemplo Sixticolor. Na parte da manhã ou da tarde, a luz de exposição corresponde normalmente a sensibilidade à cor de nossos filmes. Ela abrange do vermelho de onda longa até o azul de onda curta, todas as cores do arco-íris , o qual, após a chuva de verão, podemos admirar como ponte colorida sobre a paisagem. Como é conhecido a luz atravessa a atmosfera da terra, antes de alcançar o nosso objetivo a ser fotografado. Durante este trajeto a luz é refletida diversas vezes, pelas moléculas do ar, pelas dotinhas de água e pelas partículas de poeira e desviada da direção dos raios. Desta maneira a luz solar é dissipada em todas as direções na própria atmosfera, isto é, a luz azul de ondas curtas mais do que a luz vermelha de ondas longas. Os físicos verificaram ainda que a luz violeta é dissipada 16 vezes mais do que a luz vermelha, razão pela qual o céu nos parece azul. Sendo o ar claro e puro, Omo por exemplo nas altas montanhas, o céu é de um azul profundo, isto sabe todo o alpinista. Tendo, no entanto, no ar muitas gotinhas de água e partículas de poeira, o céu não é azul e sim esbranquiçado. Naturalmente se pode admirar a beleza colorida melhor, observando o pôr-do-sol no puro ar das montanhas altas, porém a atmosfera saturada de vapores da planície, especialmente sobre as paisagens cheias de máquinas dos territórios industriais, tem os seus atrativos para a apresentação colorida. Usando a distância focal longa, isto é teleobjetiva, torna-se possível dar ao sol, na fotografia colorida, o tamanho que corresponde à impressão visual, ao passo que, com distância focal curta, o sol é reduzido a um pontinho na paisagem. É conhecido que o caminho dos raios de luz se prolonga na atmosfera, quanto mais o sol se aproxima no horizonte. Neste caminho que a luz atravessa na atmosfera, ela é bastante absorvida, sobrando sobrando apenas luz amarela e vermelha. Encontrando-se o sol exatamente no horizonte, pronto para desaparecer ou se levantar, restando somente luz vermelha, é quando nós podemos fixar o sol sem óculos escuros, então chegou o momento exato em que podemos fotografar diretamente contra o sol, sem perigo de reflexos sobre a objetiva. Nestes poucos minutos do subir ou descer da bola incandescente, que nós chamamos sol, vale unicamente o desvio do ponteiro do nosso fotômetro dirigido diretamente contra a luz solar, para determinar o tempo de exposição para fotos coloridas. Hiper-exposição deve de qualquer maneira ser evitada, pois destruiria a combinação de cores e reflexos, únicos no gênero. Aparecem, porém, nuvens ou neblina no horizonte, então o sol desaparece sem provocar a coloração desejada e nós estamos deveras desapontados! São no entanto, as nuvens dispersas ou intermitentes, as em que podemos obter um efeito de especial beleza, pois, então iluminadas de baixo reluzem em amarelo misturado com vermelho. Circunstâncias especiais na atmosfera podem mostrar mesmo após o pôr-do-sol, linda luz retardatária nas altas camadas de nuvens e resultar em fotos coloridas nunca vistas, embora fizemos estas nuvens altas na foto colorida com distância focal curta. Para estarmos absolutamente certos de qual é o tempo de exposição nestas fotos batidas, ou de manhã ou a tardinha, recomendamos tomar nota dos dados verificados: recomendamos também tomar bater diversas chapas do mesmo motivo com pequenas diferenças de exposição, isto é, com meio diafragma. Para o filme colorido reversível, as partes mais claras da foto servirão como base na medição, em nosso caso, portanto a luz diretamente refletida pelo sol em seu ponto mais baixo. Para mostrar o sol em seu tamanho natural, recomendamos, conforme explicado anteriormente, distância focal longa e caso tivermos a sorte de termos achado além do ambiente romântico, ainda um primeiro plano favorável, podemos contar com uma foto excepcional.''

NEUMÜLLER, Michael. Levantar ou pôr-do-sol: motivos cobiçados.
In: FOTOARTE:Revista Mensal de Fotografia Internacional.
Rio, v.3, n.25, maio 1960.

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