
FORTE SÃO MIGUEL - Chuí
"Chuy uruguaio"
Continuação do Projeto ''ERA UMA VEZ UMA CIDADE...''
| Fotografias de NÁDIA RAUPP MEUCCI Porto Alegre - RS |
''SOMENTE O MAIS
ESPERTO |
ESTE SITE ESTÁ NA INTERNET DESDE maio de
1999
A mostra consiste de 30 fotografias em tamanho 24 x 30 cm apresentadas em ''passe-par-tout'' branco. São 15 fotos P&B em papel fibra Ilford e 15 fotos Cor em papel Kodak Professional Supra III.
Veja Também:
Era uma vez uma cidade.... - fotos de Rio Pardo
Nádia Raupp Meucci - fotógrafa
''Curiosa e dinâmica, em constante
questionamento sobre a realidade que a cerca, a Bacharel em Biblioteconomia e
Documentação e Licenciada em Química, Nádia Raupp Meucci, descobriu na arte de
fotografar um novo caminho para justapor e catalogar imagens e informações. Utilizando
ainda seus conhecimentos de química para promover outras misturas até a obtenção de um
resultado mágico: despertar nas pessoas que vêem suas fotografias não só o interesse
pelo patrimônio histórico, mas também a cumplicidade no protesto pelas perdas que as
fotos-denúncia desnudam.
Foi assim com o projeto ''Era Uma Vez Uma Cidade...'', buscando salvar o que resta das
nossas cidades históricas, que começou em Rio Pardo.
E continua, agora, atravessando a fronteira até o Chuy uruguaio, contrapondo às
denúncias dos nossos abandonos o belo exemplo do reconstruído Forte São Miguel, erguido
pelos portugueses, por volta de 1750.
Que a inquietude perscrutadora de Nádia leve-a com sua câmera a denunciar outros
abandonos, mas descobrindo também riquezas resguardadas para estimular a imperiosa
conscientização sobre a importância da preservação do nosso patrimônio histórico.''
LAURO SCHIRMER
Jornalista
Diretor do Projeto RBS Cultura
Porto Alegre - RS
04 de maio de 1999
INTRODUÇÃO À EXPOSIÇÃO DE FOTOS
DO FORTE SÃO MIGUEL NO CHUÍ
''O EXEMPLO É O
MELHOR PROFESSOR.''
(Ditado popular)
'' A idéia de apresentar as fotografias do FORTE SÃO MIGUEL- Chuí , surgiu em
contraposição à exposição ''ERA UMA VEZ UMA CIDADE...'', de fotografias de Rio Pardo
no Rio Grande do Sul, mostra itinerante e virtual (veja na Internet no site
www.fotonadia.art.br), com 3 edições já
apresentadas desde 1998, em Rio Pardo, Santa Cruz do Sul e Porto Alegre.
O projeto ''ERA UMA VEZ UMA CIDADE...'', ou seja, as ''cidades órfãs'' e as
contra-posições restauradas já fotografadas e apresentadas até aqui, como também
as vindouras que já estão preparadas para a apresentação, continua a ser
financiado, elaborado e organizado pela fótógrafa/autora.
Este Forte, situado no ''Chuy uruguaio'' (
mapa ), como disse o
Jornalista Lauro Schirmer, é um ''primo-irmão'' quase da mesma idade do FORTE
JESUS-MARIA-JOSÉ em Rio Pardo, chamado de ''Tranqueira Invicta'' por nunca ter sido
tomado. Ambos foram construídos por rio-pardenses do ''Regimento dos Dragões'', o do
Chuí por volta de 1737 e o de Rio Pardo, 1752, quando ainda portugueses e espanhóis
brigavam pelas terras daqui. O Forte São Miguel (
planta ) esteve
em terras portuguesas pouco tempo depois de ser construído. Foi tomado em seguida por
Ceballos, então governador de Buenos Aires. E pouco tempo depois, com a demarcação
definitiva das fronteiras do sul do Rio Grande, ficou para o Uruguai, onde permanece hoje
sob o Departamento de Estudos Históricos do Estado Maior do Exército, aberto à
visitação.
Da nossa ''Tranqueira Invicta'' em Rio Pardo, não sobrou nada , apenas 3 canhões . E
ninguém sabe dizer ao certo, o que aconteceu com este Forte que teve papel tão
importante na defesa e expansão das fronteiras ao sul do País. Por iniciativa do
Prefeito Fernando Wunderlich, prefeito 2 vezes de Rio Pardo, foi levantada uma
lápide em 1978, com a planta baixa das diversas instalações do Forte.
E do Forte São Miguel sobrou tudo. Está intacto. Completamente conservado e preservado.
Foi reconstruído em 1933. E hoje é dos uruguaios.
Por quê, afinal de contas, não preservamos nossa história e nossa memória ?
Por quê queremos ficar sem referências, isolados do mundo ?
Por quê não somos mais universais ?
Sair da ''mesmice'' significa destruir a ternura, o singelo, o genuíno?
E o comezinho ? Por quê não notamos ?
Onde está a coragem e a ousadia para não destruir ?
Por quê a ''casinha simples e histórica'' não tem mais espaço ?
''Cadê'' o despojamento ?
Esta mostra ilustrativa e acadêmica de fotos do Forte São Miguel no Chuí, se apresenta
como um elo de ligação, como contraposição às próximas exposições de
fotos de outras ''cidades órfãs'', similares a Rio Pardo, que serão brevemente
apresentadas...cidades também abandonadas, ao descaso, incendiadas, mal-tratadas,
traídas, magoadas, esquecidas, ignoradas....mas não menos importantes dentro da
história do nosso povo. São as referências mais simples e singelas, que fundamentam
nossa compreensão...as casas...estas ''casinhas'' simples...tão importantes
casinhas...pelas quais lutamos uma vida inteira... para lá dentro poder descansar, comer,
dormir...para lá dentro poder criar nossos filhos, os ''filhos do mundo''...sobreviver
!!!
Nossas casinhas...tão queridas !
Geralmente, o primeiro desenho de uma criança, quando ela começa a dominar o lápis, é
uma casinha, uma cerquinha, um chãosinho, uma árvore, uma montanha, um sol bem amarelo,
um passarinho, um laguinho, um patinho...
Por quê destruí-las ?
Que exemplo afinal, estamos dando aos nossos filhos e aos outros ? Sem preservar, sem
conservar, sem perceber, sem ajudar, ignorando....? Só destruindo ?
Onde está a coragem suficiente e necessária para mudar, para inovar, para criar, para
assumir?
Estamos no ano 2000...
Será que só construímos para ostentar ?
A cidade, sem a sua história preservada...morre!
Acabar com a história....ficaremos fadados a repetí-la !
O Forte São Miguel no Chuí, é um exemplo de preservação, de conservação continuada,
de interesse, de força de vontade. Um Forte que nem era inicialmente dos uruguaios.
É um exemplo de história !
É um exemplo de memória !
É um exemplo de vontade !
É um exemplo de determinação ! ''
Nádia Raupp Meucci
09 de maio de 1999
HISTÓRICO DO FORTE SÃO
MIGUEL
Departamento de Estudos Históricos do
Estado Maior do Exército
República Oriental del Uruguay
'' O lugar onde hoje se encontra o Forte São Miguel, foi fundado primeiramente por
forças espanholas comandadas pelo Alferes Esteban del Castillo, para provocar a retirada
de forças portuguesas em 1734. Esta primeira edificação do Forte era muito simples,
não era propriamente um Forte. Era feito de ''tepes'' (pedaços de terra cobertos de
grama ou erva miúda
concentrada em grande quantidade, chamadas ''cesped'', terra muito trabalhada pelas
reaízes). A estrutura arquitetônica de Forte apareceu mais tarde, na segunda
edificação. Assim que acabaram as hostilidades entre espanhóis e portugueses, o simples
Forte de ''tepes'' foi abandonado pelos espanhóis.
A segunda construção/fundação do Forte São Miguel se deve ao Brigadeiro português
José da Silva Pais, em 17 de outubro de 1737. Desta data até aproximadaamente 1750, o
Forte possuía a forma quadrada com 2 ''baluartes'' e 2 ''medianeros'' de pedra. A partir
daí, a estrutura variou, passando a ter 4 baluartes, segundo o Sistema de Fortificação
Vauban, em vista de ser este Engenheiro Militar Francês, seu principal representante.
Durante a Capanha do Governador Pedro de Ceballos de Buenos Aires, o Forte foi tomado dos
portuguêses pelos espanhóis, perdendo sua função de posto avançado de observação,
bem como seu valor.
Em 1775, atendendo o risco de uma inimiga invasão inglêsa, dispuseram do Engenheiro
Extraordinário D. Bernardo Lecocq, que efetuou os reforços no Forte que entendeu serem
pertinentes.
Em 1797, pelos mesmos perigos, foram reaparadas as instalações do Forte, por causa da
ação do tempo e dos elementos naturais.
Depois de ficar em ruínas, na época da Independência, foi resgatado pelo Historiador
Horacio Arredondo e os Generais Campos e Baldomir, a partir de 1928.
O Forte foi recosntruído de acordo com os planos de conservação do mesmo e também a
técnica de canteiros e construção de edifícios da época, encerrando com seus muros, a
Habitação do Comandante, Polvorim, Capela, Cozinha da Tropa e Quadra da Tropa, todas
estas dependências da época do apogeo do Forte.
Ainda uma magnífica coleção de Uniformes utilizadas pelas distintas forças que
prestaram serviços nesta Fortificação e também uma valiosa mostra da evolução dos
Uniformes da República Oriental do Uruguay, expondo de forrma didática, prendas de
vestir, distintivos, condecorações, etc. Tudo é complementado com uma importante série
de aquarelas do pintor Emílio Regalía, que facilita a visão do material exposto.''
SÍNTESE DA HISTÓRIA DO FORTE SÃO MIGUEL
O Forte São Miguel fica na extremo Chuí, do lado do Uruguai, a mais ou menos 6 km da rua principal do comércio entre as fronteiras do Brasil e Uruguai. Um pouco mais abaixo mais perto do Litoral uruguaio, está o Forte Santa Teresa. Ambos foram erguidos pelos portugueses por volta de l737, divido à guerras existentes entre Portugal e Espanha. Logo após sua construção, foram tomados pelo governador de Buenos Aires, D. Pedro Ceballos.

Nesta época, Rio Pardo, acampamento de Gomes Freire de Andrade, era sede do Regimento dos Dragões, tornando-se o principal responsável da expansão dos portugueses para a campanha. Depois de revogado o Tratado de Madrid (1750) entre portugueses e espanhóis, o Pacto de Família entre França, Espanha e Nápoles tenta combater o poder marítimo da Inglaterra. Mas Portugal não aderiu. Preocupado com os reflexos da atitude de Portugal, Gomes Freire de Andrade determinou que o governador de Rio Grande, Cel. Elói Madureira e o comandante de Rio Pardo, Cel. Thomás Luís Osório , tomassem as medidas necessárias para defender o território brasileiro dos espanhóis. Para o fim de observar os movimentos espanhóis na zona, foi construído o Forte São Miguel, de pedras acunhadas, menos resistentes que a a pedra de silharía, usada em Santa Teresa.

Em 1933 , o Forte São Miguel foi reconstruído por uma comissão composta pelos Generais Campos e Baldomir e o Historiador Arredondo. Hoje, tanto o Museu como o Forte, encontram-se em excelente estado de conservação, causando até inveja a nós, aqui do outro lado. Está sempre aberto à visitação e pertence ao Estado Maior do Exército do Uruguai.
As instalações interiores do Museu, consistem em: Habitação do Capelão, Alojamento para Oficiais, Habitação para o Comandante, Polvorim, Capela, Cozinha da Tropa, Quadra da Tropa. Todas as salas guardam as características da época.

Uma sala super interessante é a ''Polvorim''. É uma continuação da Habitação do Comandante. Não tem janelas e possui um sistema especial de ventilação consistente em canos que formam um vigamento entre as paredes, a fim de impedir a presença de umidade em seu interior, mantendo assim a pólvora em condições ótimas para uso. A coleção de uniformes do Exército é diversa e também de conservação espetacular.
Os fungos alaranjados que aparecem nas pedras do Forte por causa da umidade dão uma sensação de história antiga. O conjunto forma uma imagem inenarrável. Vale a pena visitar. Tudo é super conservado e bem cuidado.
Comentário do Jornalista ALEXANDRE GARCIA
para a Rádio Gaúcha - 17 de maio de 1999
''Queria falar hoje sobre bons exemplos de 2 mulheres. No sábado, eu estava acompanhando
a convenção do PSDB e vendo que muita gente estava chegando com carro oficial. Ministro,
líder no Senado e até um carro de uma Câmara de Vereadores do interior de São Paulo.
Aí chegou a Ministra da Administração Cláudia Costin, de carona num mini-carro
de uma amiga. Se ela pode dar este bom exemplo, porque os outros não seguem ?
A outra mulher : eu estava na Internet, preparando as férias, percebendo que
todas as cidades espanholas conservam seus prédios de 500 anos atrás. Aí encontro uma
fala do Lauro Schirmer, Diretor de Projetos Culturais, Diretor da RBS Cultura, falando de
uma exposição que está começando hoje aí em Porto Alegre, de fotografia, da Nádia
Raupp Meucci. Se começou outra, é porquê a primeira deu certo para salvar Rio
Pardo. Agora ela está mostrando fotos de São Miguel, que tem 250 anos. Eu fiz matérias
lá quando eu cobri o Uruguai e me chamou a atenção do bom exemplo que os
uruguaios dão pra gente, de como conservar a história, as coisas antigas. É um negócio
que a gente tem que perseguir, esta idéia, este bom exemplo, de ficar atucanando as
pessoas para não derrubarem os prédios históricos que representam os valores da nossa
cidade, que representam a alma, o espírito da nossa cidade. Eu acho, como disse o Lauro
Schirmer, que esta exposição que está começando hoje lá na Galeria Benjamin, merece
apoio, merece servir de modêlo, de exemplo. Está cheio de cidades no interior do Rio
Grande do Sul, que estão desaparecendo, cedendo espaço para espigões, para prédios em
que as pessoas se empilham, morando umas em cima das outras, esquecendo a verdadeira alma
de suas cidades.''
ALEXANDRE GARCIA
Jornalista
Diretor Regional de Jornalismo da TV GLOBO
Brasília - DF - Brasil
17 de maio de 1999
''...não busqueis a salvação da vida na
rendição...temos pelejado como homens; resta que nos defendamos como feras...seja nosso
alívio o sangue e nosso desafogo a espada...rechaçamos o inimigo por muitas vezes,
detendo seus passos, mas ele atacará até a sua última consternação e por esta razão,
dissuadido, virá aceitar por honra o que nos negar por soberba...''
''Palavras como essas, proferidas por Sebastião de Veiga Cabral, concitando seus homens
à defesa das muralhas da Colônia de Sacramento contra os ataques espanhóis, lapidaram
as pedras das fortalezas e repetem-se no eco dos tempos, como testemunhos do espírito
indomável que moldou nossa gente. É a história do nosso sangue, da nossa raça, que nos
fez como somos; que nos deu identidade e nos fez donos do nosso chão.
Com seu trabalho minucioso, paciente e apaixonado, Nádia Raupp Meucci nos traz de volta,
em suas magníficas fotografias, a rudeza da vida entre as paredes destes fortes. A par da
beleza arquitetônica, evoca os sofrimentos, a determinação e o heroísmo que foram uma
constante na vida de nossos antepassados e que, por comodismo ou desinformação,
relegamos a um plano secundário de nossas memórias.
É o despertar da cultura e da sensibilidade que - embainhadas as espadas e esquecidas as
desavenças - podemos hoje desfrutar, levados pela magia das lentes e pela primorosa
técnica de Nádia, apontando, revelando, resgatando os nossos marcos históricos e
acusando-nos de pouca reverência que temos tido para alguns deles.
Nádia consegue reunir qualidade artística e qualificação técnica, o que faz de seu
trabalho um primor de bom gosto e apresentação gráfica, complementados por sua
formação de Documentalista, que busca inserir a boa informação histórica na retórica
das formas, luzes, sombras e cores das velhas construções.
Sem dúvida, suas fotografias constituem uma valiosa contribuição para o acervo
artístico e preservação do patrimônio histórico do Rio Grande do Sul.''
ROBERTO FONSECA
Escritor e Artista Plástico
Brasília - DF - Brasil
11 de maio de 1999
''Nádia,
Parabéns pelo teu maravilhoso trabalho !!!
Tu és uma pessoa muito esforçada e persistente, principalmente na tua área, onde o
reconhecimento é muito demorado, tratando-se de Brasil. O teu trabalho deveria ser
matéria escolar, somente assim nossos filhos aprenderiam a dar valor ao que é nosso. Um
grande abraço para ti e tua mãe, que tão bem soube te preparar.
JULMARA COLLAR
Empresária
Porto Alegre - RS - Brasil
19 de maio de 1999
''Nádia,
Teus desafios são fortes e muito importantes.
Tu consegues, sempre, ver de um ângulo e numa
forma diferente. Com raro talento. ''
Abraços,
MARCOS DVOSKIN
Diretor Geral da EDITORA GLOBO
São Paulo - SP
21 de maio de 1999
'' I love your images...dynamic sense of
composition and especially the powerfull feelings they evoke.
I just went to your foto.art.br website and it was great to see you and your
astistry. Congratulations.''
TONY DE NONNO
Awards-winning Filmmaker - Producer-Writer-Director
New York NY - USA
17 de maio de 1999
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NÁDIA
RAUPP MEUCCI |