CONHECI FINALMENTE...

DETALHES DE UMA CIDADE AMADA...

A irmã de minha avó materna vivia em Jaguarão...
então ouvia minha vó contar que Jaguarão era linda...
ela sempre ia lá visitar minha tia. Contava que as casas
pareciam ''vestidos de noiva'' de tão lindas,
pintadinhas e bem cuidadas.
Nas calçadas, todos se conheciam e eram amigos. 
Todos sabiam os nomes de todos.
Não entendia como todos se conheciam assim tão bem
Eu ficava encantada, pois nasci e me criei na capital.
E aqui nem todos se conheciam. Nem todas as casas eram lindas.
Também não entendia como Jaguarão ainda possuía casas,
antigas, belas e inteiras, se em Porto Alegre, já derrubavam
todas as da Avenida Independência...já há 30 anos atrás...
Sempre fiquei impressionada com os casarões da Independência...
que hoje já não restam mais...
Ficava encantada quando era pequena, com as histórias da 
''Cidade Heróica'', pois não entendia como uma cidade do 
nosso Estado ficava tão perto do ''exterior''... o Uruguai.
Ficava imaginando que quando crescesse iria conhecer o Uruguai então,
e depois Jaguarão. E lá conheceria o namorado com quem ia me ''casar''.
Aconteceu como eu previra: - conheci primeiro o Uruguai: Montevidéu, 
Punta Del Este, Maldonado, Mello, e outras cidades que agora não lembro 
o nome ''decor''...
Já fui muito lá no ''exterior uruguaio''. Já fotografei seus fortes, que um dia
foram nossos. E fui em outros ''exteriores'' também ...e Jaguarão ia ficando 
pra trás...e o ''namorado'' que eu ia conhecer também....
Um dia conheci o ''namorado'' com quem ainda não me casei...
e Jaguarão ainda lá, sozinha, porém bonita, sorridente, luminosa, poderosa.
Um dia frio de maio, em 1999, quando já não tinha mais nenhuma 
esperança de que ele iria ligar, viajei triste para Jaguarão. 
Finalmente fui a Jaguarão.
Linda. Simplesmente linda a cidade. As casas realmente pareciam 
''vestidos de noiva'' como minha avó contava. Todas pintadas. 
Todas cuidadas. Todas floridas. Todas sorriam...
As janelas e as portas, tão ou mais lindas do que as que vi nos ''exteriores''.
Fiquei encantada. Fotografei o que pude e prometi voltar.
Já em Porto Alegre, um dia na ''fila'' do banco, o telefone tocou, quando eu não 
tinha mais nenhuma esperança. O namorado voltou. E sabem o que eu disse?
Conheci finalmente o amor. E é Jaguarão!

Nádia Raupp Meucci
Documentalista/Fotógrafa
11 novembro 2000

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