INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO

''PALÁCIO MONROE''

l. O Presidente de Clube de Engenharia, por ofício datado de 15 de maio de 1975, encaminhou ao Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro um volumoso Relatório contendo os resultados dos estudos lá realizados, pela Divisão Técnica Especializada de Urbanismo, como um dos órgãos constitutivos do Departamento de Atividades Técnicas do Clube de Engenharia, sobre o ''momentoso problema ligado à manutenção ou demolição do antigo Palácio Monroe.''

Pelo referido ofício, é solicitada a atenção do Presidente do nosso Instituto para a Resolução aprovada em 20 de fevereiro do corrente ano, pelo Conselho Diretor do Clube de Engenharia, no sentido da preservação do Palácio Monroe. Finalizando, o Presidente do Clube de Engenharia declara que a Resolução aprovada ''revela exaustivamente as razões que levam esta Entidade àquela decisão de votar pela não demolição e sim pela restauração daquele imóvel.''

2. A opinião do Clube de Engenharia coincide exatamente com o parecer da Comissão do nosso Instituto, designada para opinar sobre a questão do Palácio Monroe, a qual apresentou o seu Relatório em 14 de agosto de 1974, com a seguinte parte conclusiva: ''Em conseqüência, a Comissão designada pelo Presidente do Instituto Histórico e Geográfico é de parecer, por maioria dos votos, que o Palácio Monroe não deve ser demolido e que devem ser envidados esforços para que o edifício seja restaurado de modo a retomar, o mais possível sua forma original; assim procedendo, estaremos preservando um notável valor histórico e arquitetônico brasileiro e estaremos salvaguardando uma obra, que há setenta anos atrás projetou, gloriosamente, o nome do Brasil no estrangeiro.''

3.Voltando ao Relatório apresentado pelo Clube de Engenharia, vemos que, em setembro de 1974, foram designados os engenheiros José de Oliveira Reis e Ferdinando Gomes Lavinas para estudarem o caso do ''Palácio Monroe'', cabendo ao primeiro o estudo do aspecto histórico e ao segundo o exame das questões relacionadas com o tráfego de veículos nas proximidades do ''Palácio Monroe''. O Engenheiro José de Oliveira Reis, antigo Mestre da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ex-Diretor do Departamento de Urbanismo da Prefeitura do antigo Distrito Federal , combate a idéia da demolição do ''Palácio Monroe'', principalmente quanto à questão de conquista de espaço para acréscimo de área verde. O Engenheiro Ferdinando Gomes Lavinas em seu parecer mostra que o ''Palácio Monroe'' em nada atrapalha o tráfego e que a sua demolição em nada o melhora.

4. Do Parecer do Engenheiro Durval Lobo, que relatou o assunto na Divisão Técnica Especializada de Urbanismo do Clube de Engenharia, destacamos os seguintes trechos? A - ''Esse Palácio Monroe teve sua fase áurea; se foi mascarado, descaracterizado, pela incúria dos que o usaram, ignorantes do seu valor histórico, como glória da arquitetura brasileira, vencedora frente aos arquitetos de maior renome das grandes nações, nada impede que num sopro de bom senso e respeito aos grandes nomes que o idealizaram e o construíram, volte ele para seu estado de origem, quando, por certo, terá os dias de esplendor que já teve.'' B - ''Vê-se, assim, que o Monroe não prejudica o tráfego; no terreno que ocupa seria ridículo pensar-se em área verde, diante do aterro do Flamengo, a maior extensão ajardinada da cidade e, ainda, ao lado do Passeio Público.'' C - ''O Palácio Monroe não deverá ser demolido e sim restaurado, pois considero isto um imperativo da inteligência brasileira.''

5. Vemos, portanto, que o Clube de Engenharia e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, dois órgãos da mais alta importância para opinarem no caso em questão, foram perfeitamente concordantes nos seus pareceres; ambos opinaram contra a demolição do Palácio Monroe e recomendaram a sua restauração. O Palácio Monroe só pode ser salvo por um movimento de opinião bem conduzido; esse movimento de opinião poderia ter por base os pareceres de dois órgãos respeitáveis: o Clube de Engenharia e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 4 de junho de 1975. NELSON FREIRE LAVANÈRE-WANDERLEY

 

(Texto transcrito integralmente do livro: SOUZA AGUIAR, Louis de . PALÁCIO MONROE: a glória ao opróbrio. Rio de Janeiro,1976. p.155-7.

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