MANIFESTO DE PROTESTO


Selo Comemorativo ao Pálacio Monroe de 200 Réis

Manifesto de Protesto de Engenheiros, Arquitetos e Paisagistas, contra a Demolição do Palácio Monroe
Fonte: Souza Aguiar, Louis. PALÁCIO MONROE: da glória ao opróbrio.
Rio de Janeiro, Arte Moderna, 1976. p. 173-85.

PALÁCIO MONROE
''Os que subscrevem o presente documento desejam apenas firmar perante nossos pósteros, sobretudo aqueles que investigaram os fatos desta época, que a demolição do Palácio Monroe provocou a advertência seguida de veemente apelo para que fosse evitada a destruição de um edifício que, ale de sua significação histórica, integra o conjunto da mais alta expressão como patrimônio arquitetural representativo do implante da República em nosso país.

Trata-se dos poucos edifícios que ainda restam, entre os mais representativos, da abertura da Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, a obra de urbanização mais significativa da remodelação do Rio de Janeiro, fato, sem dúvida, dentre os de maior importância para esta cidade, dos que assinalaram aquele período histórico.

Nossa preocupação não é de definir o Palácio Monroe, nem nenhum outro dos edifícios do mesmo conjunto, como obra prima de Arquitetura, mas considera-la no sue todo, reconhecendo o significado e a relevante presença que representariam para a posteridade, da mesma maneira que hoje lamentamos a destruição, em tempos passados, de edificações características de nossos períodos históricos.

E desse conjunto, o de maior significação, sob esse aspecto, é precisamente o Palácio Monroe que, por muitos anos, até a inauguração de Brasília, foi sede do Senado Federal, além de ter sido sede da Câmara dos Deputados.

Não podemos deixar de assinalar que esse edifício, fielmente construído aqui no Rio por decisão do Presidente da República, Rodrigues Alves, obteve na Exposição da Saint Louis, nos Estados Unidos, em 1904, a maior láurea, frente aos pavilhões concebidos pelos principais arquitetos do mundo, que representavam a grande maioria das nações concorrentes.

Era, enfim, a Arquitetura da época, em todo o mundo.
A demolição do Palácio Monroe não se justifica por nenhuma utilização posterior imediata. Não constitui embaraço ao tráfego naquela área, conforme comprovado por estudos técnicos recentemente realizados e sua preservação até há pouco admitida, sofrendo o traçado do ''metrô'' um desvio a fim de não atingi-lo.

Diante da notícia de sua demolição e paralelamente aos apelos para que fosse conservado, pela sua significação, surgiram também iniciativas para seu aproveitamento em face da carência de edifícios para instalações de serviços estaduais, municipais e mesmo federal, havendo quem como o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro, se propusesse a realizar as obras necessárias à sua instalação sem ônus para o Governo.

Sua importância mereceu a significativa homenagem de figurar nas notas de 200 mil réis. Sempre admirado em sua magnificência, hoje, apesar de desfigurado, é um belo ''fecho'' para a Praça Marechal Floriano, limite esse, urbanisticamente perfeito, configurando de modo inteligente a escala humana.

Seo o Palácio, a vista não terá limite, perdendo essa Praça, desse modo, sua virtude que era exatamente proporcionar o equilíbrio entre seus lados.

Tudo, portanto, recomendava o aproveitamento do Palácio Monroe coma condição especial de existirem todos os elementos do projeto que permitiriam, em qualquer oportunidade, colocar o edifício nas mesmas condições que tinha ao ser inaugurado em 1906, para sede da 3ª Conferência Panamericana, honrado que foi o Brasil com essa escolha.

Diversas sugestões foram suscitadas para a utilização do Palácio Monroe, depois de restaurado em suas estruturas, espaços e decoração originais, inclusive como unidade museológica especializada para a cidade e época de seu implante.

Com sua demolição, já decidida, restará aos usuários do ''metrô'' perceberem que, onde foi o Monroe, haverá uma misteriosa curva, cuja explicação lembrará a ponderação do problema por parte dos administradores que temeram destruir esse Palácio e souberam fazer o progresso - neste caso, a linha subterrânea do metropolitano - sem danificar, ou comprometer, as bases de uma patrimônio histórico e artístico.

Aquela misteriosa curva será a memória da data deste documento."

(As páginas 177 a 185 do livro acima citado, apresentam as assinaturas deste Manifesto).

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