HENRI CARTIER-BRESSON

PARIS 1961. Foto de DAN BUDNIK.
Fotógrafo...francês !
Frases...
| Henri Cartier-Bresson : Point
dInterrogation Um film de Sarah Moon avec colaboration de Robert Delpire Production Take Five Paris c1994. |
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FOTOGRAFAR...É COLOCAR NA MESMA LINHA DE MIRA...
A CABEÇA, O OLHO E O CORAÇÃO.
Photographier...cest mettre sur la même ligne de mire ...
La tête, loeil et le coeur.
Para mim há sempre pontos de interrogação por todo o lado.
A única coisa interessante são as perguntas, não as respostas.
Saber do que se trata. É sempre este o problema.
Do que se trata ? O que é ? Por quê ?
Biografias ? É preciso fazer biografias falsas. Esta mania tem algo de
mórbido. Seria melhor que lessem LAmour Fou e
Nadja.
Deixa pra lá...
Fico desapercebido quando passo desapercebido. A fama é muito
pesada.
Degas disse que é ótimo ser famoso...com a condição de ser
desconhecido...
E bom que as pessoas gostem do que fazemos...mas isso quer dizer
que temos de continuar...e não apodrecer parados.
Eu vesti a camisa ...a camisa da fotografia.
Se sou mordaz...não é contra a fotografia...mas fico feliz se faço o que me
diverte...ou interessa às pessoas. Mas a fama é terrível. Terrível ! Ficamos
acorrentados a ela. Se sou mordaz, é contra isto.
A fotografia por si só não me interessa... mas a reportagem sim, a
comunicação entre o mundo e o Homem com este instrumento maravilhoso do tamanho da mão
que nos faz passar desapercebidos. E assim participamos
. É uma dança. Entende ? É uma grande alegria fotografar assim.
É preciso esquecer-se, esquecer a máquina... estar vivo e olhar. É o único
meio de expressão do instante. E para mim só o intante importa... e é por isto que
adoro , não diria a fotografia....mas a reportagem fotográfica, ou seja, estar presente,
participar, testemunhar, com a alegria da composição e evitar a anedota. Ao mesmo tempo,
não podemos ficar esperando plea grande fotografia. Há muito o que descascar. É um
presente que lhe é oferecido, mas é uma ação do acaso e é preciso tirar proveito
dele... ele existe. É a vida, e ao mesmo tempo, a morte... porque desaparece, acaba. Há
algo de mórbido na fotografia. Não é raro uma foto que possamos olhar por mais de um
instante que passe uma emoção.
A gente olha e pensa: Quando aperto ? Agora? Agora? Agora?
Entende? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora
que explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos...e não podemos recomeçar. O
desenho é uma meditação...enquanto que a foto é um tiro. Pode apagar um desenho e
fazer outro. Não está lutando contra o tempo. Tem todo o tempo pela frente, é uma
meditação. Mas com a foto, há um espécie de angústia constante... pelo fato de estar
presente. Mas é uma angústia muito calma.
Goethe dizia que para se entender uma pintura é preciso fazer um esboço.
Tinha toda a razão: deviam dar um lápis e um pincel às pessoas em vez daqueles fones de
ouvido com aquele blá-blá-blá...
Eu prefiro de longe o rádio. Pois no rádio, há mais
imaginação.
Esta coisa de cerebral... Pessoas tão inteligentes, como se apontassem demais
o lápis e não pudessem mais escrever. Ele fica tão pontudo... Estamos num mundo de
comentaristas.
Há mil maneiras de cozinhar um ovo, mas o ovo é sempre o mesmo. Temos que
questionar, de saber do que se trata o tempo todo.
Não estou falando de música. Mas quando vejo alguma coisa que não está na
proporção certa...isso me irrita. Me irrita muito. A minha alegria é a
geometria.
Foi um engajamento político e uma encomenda. Não há diferença entre os
dois. Foi um trabalho encomendado e importante pra mim...como Capa e Shim com sua Leica e
sua Contax e eu com a câmera de cinema.
Mas o cinema é um discurso. E quando trabalhei com Renoir, ele sabia muito
bem que eu não seria capaz de fazer um filme. Não tenho imaginação.
Faça-me perguntas, senão vou dizer asneiras.
A intimidade é algo secreto. Nada de confidências, não é da conta de
ninguém.
Diria que o acaso foi... Foi o quê ? Foi generoso... Sorte ou azar...não
sei. O que é curioso é o acaso, são as coincidências. Foi por isso que o surrealismo
me marcou. Pela concepção surrealista, não pela pintura...apesar de minha amizade por
alguns. Mas pela concepção, o subconsciente e tudo o mais. Yves Bonnfoy diz que minha
concepção nada tem a ver com o lado ortodoxo do surrealismo. André de Mandiargues e
meus amigos foram marcados por isto. Era uma revolta contra o tipo de mundo. E na
fotografia...Foi por isso que a fotografia me alegrou tanto... por causa de todo este lado
inconsciente que surge assim...em uma luta contra o tempo. É o único meio de
expressão...onde há esta luta contra o tempo. Talvez para um maestro também, só que
não é ele que cria, enquanto que o fotógrafo cria...sabe-se lá o quê, mas cria, assim
de repente. E correndo o risco de não acertar...de não estar à altura. Entende ? Tenho
a impressão que esta alegria existe do nascimento até a morte.
Apague a luz, está ofuscante. Na penumbra, é muito mais íntimo.
Há uma bússola que me levou no chutômetro. Só acredito no que está à
margem. Acho que é isso que deve sobressair.
Para mim, a foto e o desenho estão muito próximos. Um é ação, o outro,
meditação. E a grande coisa que me falta na fotografia, é o grafismo. A caligrafia do
desenho...nada disso existe na fotografia.
É preciso fugir, dar o fora, não se deixar prender.
(O que detonou tudo, foi a foto de Muncashi? Só isso ?)
Só isso. E depois...acabei indo ver a vida na rua. Mas eu me baseei
nisso.
Não tem nostalgia alguma. Devemos nos alimentar do passado.
A nostalgia é negativa.
Quando tem coisas sérias a dizer, é melhor dize-las rindo.
Viva Disneau, sempre Doisneau.
A vida é uma contradição.
Não quero tirar conclusões, não há conclusões.
Enfim...quem ri por último, ri melhor.
(Paulham dizia esta linda frase: As pessoas ganham
em ser conhecidas, ganham mais mistério.)
Que bonito !
FOTOGRAFAR...É COLOCAR NA MESMA LINHA DE MIRA...
A CABEÇA, O OLHO E O CORAÇÃO.
HENRI CARTIER-BRESSON, 1994.
Estas frases ditas por Cartier-Bresson, foram traduzidas do filme documentário chamado
HENRI CARTIER-BRESSON: Point dInterrogation, de Sarah Moon,
produzido pela Production Take Five com direitos de copyright de 1994.
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