

NÁDIA RAUPP MEUCCI - Currículo
ERA UMA VEZ UMA CIDADE - Projeto
| 08 de julho a 12 de agosto
de 1999 >> E-MAIL DE CONTATO << |
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FOTOS DA ABERTURA DA EXPOSIÇÃO
CIDADE & COMPANHIA - Gasparotto
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APRESENTAÇÃO
Nem mil metros de fotografia poderiam mostrar Paris. Há
que escolher dentre tantas Parisis. Entre tantos contos e canções. Há uma
Paris em mil. Uma Paris cemitério - Père Lachaise, uma Paris ponte -
Pont Neuf. Uma Paris sem emoções: a cidade dos souvenirs baratos
da Rue de Rivoli, dos perfumes de moda ou dela mesma, a moda, tão mutante
quanto a cidade não é. A Paris da gula, dos odores do Gitanes fumados no
mètro, das perspectivas do Barão Haussmann.
Onde fica a Rue du Chat-qui-pèche, onde se localiza a outra rua, a Gît-Le-Coeur?
Qual das passagens evoca Walter Benjamin e Baudelaire, a Vivienne
ou a Jauffrin? Onde ficava a guilhotina? A Mona Lisa todo
mundo sabe. Onde se situa o apartamento em que Maria Callas morreu sozinha ?
Aonde, onde, aonde?
Perguntas que a cidade não responde.
Nós só vemos uma Paris, a Paris dos estrangeiros, e esta é falsa o estrangeiro e
a cidade; ambos demasiadamente concretos para se permitirem uma aproximação. Há que se
entregar, um ao outro, há que se dar.
Só se conhecem cidades no ato amoroso, em uma violação carnal, só são conhecidas as
cidades em núpcias, como as de Veneza e o Adriático. Uma penetração mútua do teu gauloise
nas minhas narinas frementes num mètro apinhado na estação Châtelet.
Ça te plaît ?
Profondement.
Allons-y faire lamour ?
Où ça ?
Dans un hôtel, lá rue Saint Denis...
Depois desta noite de penetração mútua talvez possamos decifrar melhor a cidade com um caporal
nos beiços, sentados ao lado de um clochard sob uma ponte qualquer. A
língua úmida de Pernaud e o calor de uma mão amante na cintura, aí
então poderemos percorrer a rua Saint André des Arts na madrugada, fugindo
do turista no Deux Magots ou do Flore, procurar um banco vago
na Pont des Arts de costas para o Louvre olhando a cúpula da
Academia e pensando em comprar, antes de voltar para o hotel, um livro de fábulas de La
Fontaine ou um disco das velhas canções de Piaf. Talvez possamos
ainda ouvir os ecos de Racine recitando Fedra na
Comédie Française.
(ele nunca esteve lá, como Piaf jamais cantou sob as pontes de Paris).
Talvez nem nós jamais estivéssemos estado lá. Ir não é estar. Ver não é enxergar.
Já ouviste Paris ?
Sim: quando Joséphine Backer cantava Jai deux amours, mon pays
et Paris no Bobino.
E viste o quê ?
As fotografias da Nádia. Por elas há uma Paris que não se encontra nos guias
turísticos. É aquele outro olhar, o do fotógrafo que nos permite ver, enxergar,
cheirar, apalpar e todos os outros verbos terminados em AR, com aquele ar de amar.
TATATA PIMENTEL
PARIS janeiro 1999.
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apoio:

O evento é realizado com o APOIO
das empresas acima relacionadas e o PATROCÍNIO exclusivo é
da fotográfa e documentalista Nádia Raupp Meucci, que financia com recursos próprios
todo o Projeto
''Era uma vez uma cidade..'' bem como o site que é mantido pela mesma na
Internet no endereço
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