IGREJA MATRIZ DE SÃO DOMINGOS - Torres - RS
fotos feitas por NÁDIA RAUPP MEUCCI em janeiro 2010

 

Referências Bibliográficas:

MANGANELLI, Ernani Raupp. HISTÓRIA GENEALÓGICA DA FAMÍLIA RAUPP:
      de Laudenbach à Colônia São Pedro. Porto Alegre> EST, 2006.

PEREIRA, Marco Antônio Velho. PARÓQUIA SE SÃO DOMINGOS TORRES/RS:
     formação étnica e primeiras famílias. Santo Antonio da Patrulha: Ed.
     Raupp, 2007.

RUSCHEL, Ruy Rubem. SÃO DOMINGOS DAS TORRES/ Ruy Rubem Ruschel
     e Dalila Ruschel. Porto Alegre: Editora Martins Livreiro, 1984.

RUSCHEL, Ruy Rubem. TORRES ORIGENS. Torres: Editora Gazeta, 1995.

 

 

 

 

 

 

 

QUEM  FOI  O  FUNDADOR  DE  TORRES ?
fotos e texto de NÁDIA RAUPP MEUCCI

Meu bisavô sempre dizia que "Torres tinha começado com a família dele" e a família dele tinha começado em Torres: não era lenda !

O Alferes MANOEL FERREIRA PORTO mandou construir a IGREJA MATRIZ DE SÃO DOMINGOS DAS TORRES, que foi erguida entre 1819 e 1824. Ele era bisavô de meu bisavô THEÓPHILO JOSÉ PORTO RAUPP. Na casinha nº 1 de Torres, que existe até hoje ao lado da IGREJA SÃO DOMINGOS na subida do Morro do Farol, morou 'nosso' penta-Avô, o Sargento MANOEL FERREIRA PORTO e sua família. Ele foi o fundador do núcleo urbano torrense, atual cidade de Torres, pois no Morro do Farol e arredores, só existia o forte que ele comandava. Era época em que todas as moradias açorianas existentes na região, estavam localizadas de forma desordenada e esparsa na zona rural, entre o rio Mampituba e a atual Arroio do Sal, ao longo  da 'estrada dos tropeiros'. Quando a IGREJA SÃO DOMINGOS ficou pronta, foram distribuídos lotes em torno da Igreja, para que os alemães chegados em 1826 entre outros, povoassem a região. Assim nascia o Arraial. A nova Capela era um sonho dos açorianos já existentes, que moravam na zona rural e tinham que viajar até Osório, para freqüentar a Igreja Nossa Senhora da Conceição do ArroioNaquela época, era muito longe.

Apesar das divergências quanto aos primeiros povoadores de Torres, é sabido que antes do Descobrimento do Brasil em 1500,  apenas índios habitavam os sítios das Torres:  os Guaianás da tribo Tapuia ou Jê, os Cariós da tribo Guarani e os Tupis das tribos Carijó e Arachãs. 

Em 1776, os portugueses construíram o Forte São Diogo no Morro do Farol, para impedir as invasões dos espanhóis que já tinham invadido a Ilha de Santa Catarina (Florianópolis). A coroa portuguesa tentava retomar as terras gaúchas (abaixo de Laguna, SC), pertencentes à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas em 1495. Mas a empreitada cedeu ao Tratado de São Idelfonso em 1777, quando Portugal abriu mão de Colônia de Sacramento (hoje no Uruguai) para ficar com as Missões no oeste do Estado. Em função do forte, colonos açorianos católicos (vindos de Santa Catarina) foram se fixando desordenadamente na zona rural do litoral norte gaúcho.Torres ainda não era um núcleo urbano e não tinha capela. As moradias eram esparsas O forte continuava lá, pois o receio das invasões, persistiu até 1820 aproximadamente.

Dom Diogo de Souza foi o governador e capitão-geral da capitania-geral de Rio Grande de São Pedro do Sul e sua administração durou de 1809 a 1812. Tinha a missão principal de garantir a integridade dos territórios portugueses no extremo sul. Para tanto, levantou um forte militar em Torres, para onde foi designado em 1809 o Sargento MANOEL FERREIRA PORTO, mais tarde promovido a Alferes,  nomeado para Guarda de Registro, com a tarefa de Primeiramente, o Alferes fixou-se no Morro da Itapeva. Mas em 1814, transferiu o Posto do Pedágio (passagem dos rios Araranguá e Mampituba, para o Morro do Farol e lá fixou sua moradia, a primeira moradia de Torres. O local era um posto militar que servia para  controlar as carretas que atravessavam o Rio Mampituba, impedir o contrabando e proteger as terras da coroa portuguesa no extremo sul do Brasil. (Ferreira Porto nasceu em Saquarema no Rio de Janeiro e iniciou a carreira militar aos 17 anos, em 1779. Foi lotado em Santa Maria da Boca do Monte e casou-se em Rio Pardo. E daí, seguiu para Torres onde foi chefiar a Guarda de Registro).

Em 1815, o bispo Dom José Caetano da Silva Coutinho, do Rio de Janeiro, fazia por aqui sua visita pastoral e diante da boa quantidade de famílias açorianas já existentes e espalhadas na zona rural (povoamento iniciado a menos de 40 anos ), autorizou a construção de uma capela nos sítios das Torres, para atender toda esta gente e poupá-la das intermináveis viagens de carreta até a distante paróquia Nossa Senhora da Conceição do Arroio, em Osório há quase 200 anos atrás. Atendendo o pedido do Bispo Dom Caetano, o Governador da Província, Marquês do Alegrete, doou em novembro de 1815 a sesmaria de meia légua em quadra, ao Alferes, com a condição de ele construir uma capela para a população esparsa já existente e formar um povoado. Em 1819 foi iniciada a edificação da igreja e em 1824, foi finalizada. Nascia o "arraial" em volta da capela São Domingos. A sesmaria abrangia o terreno onde hoje existe a Igreja Matriz de São Domingos, na subida do Morro do Farol. Lotes em torno da capela, foram distribuídos, para quem quisesse construir suas moradias e o foro anual serviu para sustentar a igreja e o culto. Assim, as novas casas começaram a aparecer na paisagem. Iniciava-se, finalmente, o núcleo urbano torrense. Quando o naturalista e botânico francês Auguste Saint-Hilaire (1779-1853) esteve em Torres em 1820, testemunhou o início da construção da igreja e das casinhas que começaram a aparecer em torno dela, pois foi numa dessas que ele se hospedou (Saint-Hilaire, conhecia profundamente a literatura científica e percorreu livremente o Brasil de 1816 a 1822, acompanhando o Duque de Luxemburgo em sua missão extraordinária).

Há quem considere que o fundador, foi o Governador Dom Diogo de Souza, pois foi ele quem designou o Sargento MANOEL FERREIRA PORTO para 'servir' Torres. Mas na realidade foi o Sargento, depois promovido a Alferes, quem começou tudo, quem morou lá quando ainda não havia nada nem ninguém e recebeu a sesmaria para começar a povoar a região. Foi ele quem mandou construir a IGREJA SÃO DOMINGOS sobre sua própria sesmaria e iniciou o povoação urbana em Torres. E foi ao lado da Igreja, na Casinha nº1 que existe até hoje, que ele morou com sua família quando lá ainda não existia ninguém, além de alguns soldados que o acompanhavam.

Não sabemos o motivo certo que levou o Alferes a escolher São Domingos para a Capela, mas segundo um primo nosso, "devia ser o Santo da preferência dele".... Segundo Ruy Ruschel, São Domingos de Gusmão foi o padroeiro que FERREIRA PORTO escolheu para a Capela que construiu.
 

MANOEL FERREIRA PORTO é nosso penta-avô, bisavô de meu bisavô THEÓPHILO JOSÉ PORTO RAUPP...e mandou construir em sua própria sesmaria a Capela  São Domingos, para atender o povo.
Em 1826, a Capela foi elevada a Freguesia, no mesmo ano em que os imigrantes alemães chegaram em Torres. Entre elas, os irmãos RAUPP - JOSEPH e JOHANN GEORG - com esposas e filhos, partindo de 'Laudenbach' no estado de Baden-Württenberg na Alemanha, povoação onde nasceram e de onde descendem todos os RAUPP, hoje espalhados pelo Brasil. "Torres realmente começou com a família de meu bisavô e a família dele também começou com Torres, como ele sempre dizia", e não era lenda. Os alemães católicos, entre eles os RAUPP, foram assentados na Colônia São Pedro, antigo distrito de Torres. Atualmente é o município emancipado Dom Pedro de Alcântara.


fotos  e  texto  de  NÁDIA RAUPP MEUCCI
bibliotecária-documentalista - CRB-10/774
editora independente - FBN 906.318

veja também:

exposição de fotos de janeiro de 2010 sobre a
IGREJA MATRIZ DE SÃO DOMINGOS DAS TORRES

SÃO DOMINGOS DE GUSMÃO

 

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